
Caso eu não tivesse nascido mais cedo, a minha mãe completava hoje as 36 semanas de gravidez, mas as circunstâncias fizeram com que nascesse às 29. O período mais belo vivido até então pela minha mãe fora interrompido de forma brusca sem que ela estivesse minimamente à espera (nem eu…) e não foi fácil à mamã ter de lidar com o que sucedera. Afinal, ela sentia-se muito bem e foi uma grande surpresa quando o médico a informou que iriam fazer cesariana naquela tarde de Setembro. Ficou preocupada comigo, pois sabia que eu teria de ir obrigatoriamente para a incubadora, que teria de ser ligada, entubada e picada por diversas vezes. Nasci às 16h32 do dia 12 de Setembro e o papá foi o primeiro a ver-me logo à saída do elevador e ficou ansioso à espera da mamã que subiu bem mais tarde! Ela sentia-se muito mal… sentia-se de alguma forma culpada pelo que acabara de suceder, pela situação em que me encontrava! Ela só me pode ir ver no dia seguinte e sabes uma coisa mãe? Estava com tantas saudades tuas… tinha saudades dos sons da tua barriguita, de ouvir o teu coração, da tua voz, de sentir as tuas festinhas na barriga, do teu calor! Eu sei que na primeira vez que tu me fitaste houve uma mistura de sentimentos e sensações como jamais havias sentido: alegria, amor, ternura e muito medo do futuro… No fundo não sabias o que me iria acontecer e ao contrário do que é esperado no fim de uma gravidez eu necessitava mais dos tios e tias da Unidade de Neonatologia de Faro do que de ti e do pai e isso fazia-te surgir um enorme sentimento de culpa. Que disparate mamã! Eu nunca gostei das maldades que me faziam, mas a tua voz, o teu toque, os teus carinhos faziam com que eu tivesse força para crescer! Lembras-te da primeira vez que fui para o teu colo? Foi na noite de dia 14… Nunca mais esquecerei aquela meia hora em que fizemos a técnica do canguru… Sentir a tua pele, o teu cheiro, saber que eras tu que estavas ali comigo!!! Foi tão bom!!!
Entretanto o tempo foi passando, muita coisa foi passando… Tu tiveste a alta do hospital (sei que não foi nada fácil para ti e para o meu papá chegar a casa sem mim), eu fui crescendo a pouco e pouco, tendo pequeninas vitórias que resultaram no ganho de maturidade dos meus órgãos ainda em formação! A cada etapa passada, a cada grama ganha, tu e o papá ficavam felizes: regularizar o ritmo cardíaco, deixar o oxigénio, ter autonomia alimentar, crescer… Desde dia 23 que como na maminha da minha mamã e é muito bom, bem melhor do que aquelas sondas horríveis que me enfiavam pela boca desde que nascera, mas necessárias à minha alimentação… É bem melhor sentir a pele da mamã e ouvir o seu coração enquanto como, acreditem!
Nasci de 29 semanas e pesava 1220 gramas… Já passaram quase sete semanas e agora já peso 2015 gramas… Estou a crescer!!! A minha mamã ainda se sente grávida… Por vezes, quando está em casa acaricia a barriga como se eu ainda lá estivesse e quando vê alguém grávida pensa sempre “A minha barriga deveria estar como aquela!” Todas as manhãs corre para estar comigo logo às 9h00m e fica bem junto a mim até às 21h. O papá fica só da parte da tarde porque tem de ir trabalhar (Não sei bem o que isso é, mas deve ser um sítio onde o papá tem de ir…) e todos os dias por volta da meia-noite o telefone da unidade toca. Quem é? Os meus papás para saberem como me estou a portar!
Prevejo que não falte muito para sair do hospital e ir para casa… Estou ansiosa pela chegada desse dia… está quase! Por isso papás, o melhor é prepararem tudo, tudo, tudo!
Já não faltará muito para ir para casa! E pode mesmo ser que da próxima vez que escrever para o meu blog já esteja em casa, quem sabe?
Uma beijoquita grande para todos os que amiguinhos que visitam este blog e outra enorme para os melhores papás do mundo: os meus!